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19ª Edição

Semana 19 – 30 de setembro de 2016

Debates à Casa Branca são laboratório de mídia

A disputa presidencial nos EUA é acompanhada há décadas com atenção por comunicólogos e analistas de mídia no mundo inteiro, e serve como campo de estudo para tendências de comunicação. Por isso, é uma ótima oportunidade para se analisar a performance de conteúdo e de forma dos candidatos, como também ocorre no Brasil durante a corrida presidencial.

Hillary foi melhor para 62% dos telespectadores, enquanto 27% preferiram Trump (pesquisa da TV CNN). O candidato republicano foi duro e interrompeu a fala dademocrata dezena de vezes. Com atitude mais formal, Hillary esperava a sua vez para falar. Tudo o que acontece nos debates para a Casa Branca é estrategicamente planejado – das regras do evento até a postura, o gestual, o tom de voz, os temas abordados, as cobranças, as ironias, as farpas, as acusações mais duras. Políticos e seus estrategistas sabem que pode ser a chance de conquistar o apoio de indecisos. Para o Wall Street Journal, mais conservador, o desempenho de Trump não foi suficiente para atrair eleitores que ainda não resolveram em quem votar. Para a imprensa americana, a conclusão geral foi de que Trump mentiu mais.

A audiência televisiva do primeiro debate presidencial deste ano foi recorde: 84 milhões de espectadores, um número raro na TV da era digital. O recorde anterior foi em 1980, no debate entre Ronald Reagan e Jimmy Carter, com 80,6 milhões de espectadores. Os números do embate entre a democrata e o republicano não incluem milhões de pessoas que assistiram ao debate online pelo Twitter, Facebook e outras mídias sociais.

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Cresce o papel das redes sociais na forma como os candidatos se comunicam com eleitores

Pesquisas do Pew Research Center, um think tank americano que analisa tendências e atitudes nos EUA, mostram que as redes sociais estão tendo papel cada vez maior na campanha norte-americana e na forma como os candidatos estão se conectando com os eleitores. Estudos mostraram que embora Donald Trump, Hillary Clinton e Bernie Sanders tenham publicado quantidades semelhantes de posts num período de três semanas, o candidato republicano teve índice maior de reações (incluindo os diversos tipos de manifestações aos posts como “like”, “angry”, “sad, “haha” e “wow”).

A influência das mídias sociais na comunicação é crescente e avassaladora, em todo o mundo. Por isso, é cada vez mais necessário conhecer seu funcionamento, dinâmica e a maneira como impactam os hábitos e o comportamento das pessoas. Exatamente pelo enorme poder que exercem, o uso das redes sociais deve ser estratégico para todos, não somente políticos, mas porta-vozes, gestores, executivos, agentes públicos e profissionais públicos e privados.

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Planalto proíbe jornalistas de frequentar o andar dos gabinetes

Ao mesmo tempo em que tenta resolver problemas de comunicação, com a nomeação do diplomata Alexandre Parola para ser o porta-voz da Presidência daRepública, o governo Temer anuncia a proibição do trânsito de jornalistas credenciados no quarto andar do Palácio do Planalto. Lá estão localizados os gabinetes da Presidência, da Casa Civil, da Secretaria de Governo e da Segurança Institucional.

Liberada nos governos militares, Sarney, Collor e FH, a restrição foi imposta nas gestões de Lula e Dilma. A medida, além de não facilitar o trabalho dos profissionais de imprensa, sinaliza em direção contrária ao conceito da transparência, um valor caro às modernas administrações públicas. Na descrição feita pela Controladoria-Geral da União, CGU, no Portal da Transparência, consta que “a ampliação dadivulgação das ações governamentais a milhões de brasileiros, além de contribuir para o fortalecimento da democracia, prestigia e desenvolve as noções de cidadania”.

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Esta semana vai ter mais “gafes” de ministros?

Imprensa e colunistas noticiaram que Michel Temer ficou muito irritado ao ser informado daatitude de seu ministro da Justiça, Alexandre Moraes, de antecipar nova fase da Lava-Jato: “Esta semana vai ter mais”, disse o ministro a integrantes do movimento MBL, em vídeo que circulou em larga escala na internet.

O episódio por pouco não lhe custou o cargo, segundo os bastidores vazados. E serviu para tornar mais evidente que ministros do atual governo são autores contumazes de frases e declarações desastradas. As gafes exigiram intervenções do próprio Temer e dão combustível para a crise de comunicação governamental que não sai das páginas e telas da mídia.

Com esta afirmação do ministro da Justiça fica, também, mais difícil assegurar o caráter técnico da Lava-Jato.

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