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38ª Edição

Semana 38 – 10 de fevereiro de 2017

Sem fatos, narrativas se desfazem no ar

A teoria clássica da comunicação ensina que as narrativas precisam estar baseadas em fatos para se legitimarem. Caso contrário, são discursos vazios, mera retórica. O governo de Michel Temer está rasgando esse primeiro mandamento de comunicação na sucessão de atos que contradizem o discurso oficial de que tudo se dá conforme os costumes republicanos e democráticos.

Quando o presidente informou à imprensa que aguardaria o sorteio do novo relator da Lava-Jato no Supremo para indicar o nome do sucessor do ministro Teori Zavascki, tudo indicava que o protocolo seria seguido. Mas aí, como um castelo de cartas desabando em sequência, a verdade por trás do discurso surgiu inequívoca.

O roteiro estava previamente escrito desde o vazamento da delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. No mundo digital pan-midiático de hoje, a “solução Michel” é evidente e está descrita no pedido de abertura de inquérito pelo procurador-geral Rodrigo Janot para investigar o ex-presidente José Sarney, e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá.

Some-se a isso a baixíssima credibilidade dos políticos perante a opinião pública brasileira e dá para se calcular o tamanho da crise política que paira sobre muitas cabeças. O enredo da novela é conhecido de todos e bombardeado maciçamente no noticiário – os senadores escolhidos criteriosamente para compor a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a promoção ao status de ministro para Moreira Franco, a indicação do ministro da Justiça, Alexandre Moraes, para a vaga de Teori no Supremo. O nome do sucessor de Moraes no Ministério da Justiça, ao qual está subordinada a Polícia Federal, será conhecido nos próximos capítulos.  Aguardem.

Se a política é a arte de construir consensos, a comunicação transita na órbita de construção da legitimidade. Estudiosos afirmam que as narrativas produzem sentidos e constituem a realidade. Na vida real, precisam ser fundadas em fatos reais. Na sociedade atual, conectada em redes digitais, governantes precisam sobretudo de transparência. Sua falta faz mal à saúde de qualquer autoridade e é letal para governantes eleitos nas urnas.

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Muita violência no Espírito Santo e pouca gestão de crise

A onda de violência no Espírito Santo já deixou um saldo de 121 mortes não há solução à vista para a crise da greve dos policiais militares.  A gravidade da situação e o pânico da população será tema para muitas avaliações, análises e reformas estruturais de gestão pública. Mas já há muitas reflexões à luz das premissas básicas de gestão de crise de imagem.

Um dos quesitos básicos no gerenciamento de crises é que situações de risco não combinam com lentidão. Também deve-se evitar a vitimização e tentativas de manter distância a todo custo de responsabilidades.

O pânico e o medo que assolaram a população capixaba exige de autoridades, sejam estaduais ou federais, o máximo respeito e competência para encontrar uma solução. Foram artigos raros na condução do quadro de caos urbano nas ruas de Vitória.

Tampouco se consegue entender porque não houve planejamento de gestão de crise se a explosão da violência já havia sido detectada pela inteligência do Estado, como afirmou o governador Paulo Hartung em entrevista. Antecipar cenários de risco faz parte de práticas de gestão, para que se possa evitar o colapso que eclodiu na capital capixaba.

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Médica do Sírio-Libanês é demitida após publicar dados sigilosos de Marisa Letícia

Uma médica do Hospital Sírio-Libanês foi demitida após compartilhar por WhatsApp dados sigilosos sobre o estado de saúde da ex-primeira-dama Marisa Letícia. A médica reumatologista, Gabriela Munhoz, enviou mensagens a um grupo de antigos colegas de faculdade com o diagnóstico, que acabou se espalhando em outros grupos do aplicativo.

Em nota, a direção do Sírio-Libanês repudiou a quebra de sigilo e afirmou ter uma política rígida relacionada a privacidade de pacientes. O Código de Ética Médica estabelece que profissionais de saúde não podem permitir o acesso de terceiros a prontuários médicos. Este é mais um exemplo de mau uso das redes sociais. É importante lembrar que na internet deve-se agir com cautela. Tudo o que é dito (ou publicado) na web pode trazer consequências para a vida pessoal ou profissional.

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Na charge, o resumo da situação no Rio

 

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