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93ª Edição

Em momentos de crise, buscar consistência é a saída

 

Na semana passada, quando precisou se redimir perante os milhões de usuários da rede social Facebook, Marc Zuckerberg, seu fundador e diretor-executivo escolheu jornais tradicionais e não as redes sociais, como se esperaria, para publicar o anúncio de página inteira no qual se desculpou pelo vazamento de dados da rede. Zuckerberg mostra que, em momentos de crise, o melhor caminho é buscar veículos com maior tradição, que sejam perenes e que não sofra o risco de reedição. O que está impresso, fica. O jornal chega diariamente à porta do leitor e pode ser arquivado quase como um documento lavrado em cartório.

O anúncio foi publicado em renomados impressos dos Estados Unidos e Europa, como o New York Times e o “The Observer”, o que indica que tradição também é sinal de consistência.

A escolha pelos impressos também se explica pelos índices de confiança dos jornais. Pesquisa do Instituto Gallup, nos Estados Unidos, divulgada no ano passado, mostra que os americanos confiam mais nos jornais do que em qualquer outra mídia, incluindo as redes sociais. A estatística se reproduz no Brasil. A última Pesquisa Brasileira de Mídia, de 2016, aponta que 30% dos entrevistados sempre confiam nos jornais e outros 30% confiam muitas vezes.

No anúncio, Zuckerberg reconheceu a “quebra de confiança” no escândalo envolvendo a Cambridge Analytica e prometeu ações para evitar novos casos. “Nós temos uma responsabilidade: proteger os dados de vocês. Se não conseguirmos, não os merecemos”, diz o título do anúncio. “Você deve ter ouvido falar sobre um aplicativo criado por um pesquisador universitário que vazou dados do Facebook de milhões de usuários em 2014. Isso foi uma quebra de confiança, e nos desculpamos por não termos feito mais na época. Agora estamos tomando medidas para garantir que isso não aconteça novamente”, prossegue o texto, sem citar claramente Cambridge Analytica.

 

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A fake news ganha a sua versão em vídeo

 

O alvoroço causado em torno da entrevista da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), à TV árabe Al-Jazeera remete a uma tecnologia que pode tonar a fake news ainda mais sofisticada. Com a utilização de ferramentas de áudio e imagem em computador, é possível produzir um vídeo em que o personagem parece dizer coisas totalmente falsas.

No caso da entrevista em que a senadora pede apoio no combate à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a falsidade está na interpretação dada ao conteúdo da entrevista, que era verdadeiro. O vídeo se espalhou pelas redes sociais acompanhado de versões escritas que diziam se tratar de uma convocação a grupos terroristas islâmicos para atuar no Brasil. Em meio à confusão sobre o que é verdade e o que é mentira na disseminação da informação, até a Procuradoria Geral da República (PGR) cogita investigar as mensagens de Gleisi ao mundo árabe.

O trabalho da PGR poderia ter sido ainda maior, se os fabricantes de fake news no Brasil já tivessem acesso à tecnologia que vem sendo utilizada nos Estados Unidos e Canadá, em que o próprio vídeo é manipulado ao ponto de parecer que o personagem diz algo que jamais falou ou pensou.

A Universidade de Stanford, por exemplo, criou o software Face2Face. Ele manipular imagens de vídeo de figuras públicas para permitir que uma segunda pessoa coloque palavras em sua boca. O Face2Face captura, com uma webcam, as expressões faciais da segunda pessoa enquanto fala e depois transportar esses movimentos diretamente para a face de outra pessoa em um vídeo original. O software reproduz quase perfeitamente os movimentos faciais de lábios e olhos provocados pelo manipulador. Com um sintetizador de áudio, a voz também parece ser real.

A intenção dos pesquisadores é produzir memes e fazer gracinhas com figuras públicas em programas de entretenimento da TV ou do streaming. No trabalho experimental das universidades, vários políticos foram usados como cobaia, entre eles o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o atual, Donald Trump e o russo, Vladimir Putin.

Por enquanto tudo feito em forma de anedota, mas o potencial para a tecnologia se transformar em crime é alto.

 

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Como o Starbucks usou a crise de racismo para evitar outras

 

A rede de cafés Starbucks sustenta uma imagem associada à defesa de temas de vanguarda como o casamento gay e o controle de armas. Mas o incidente envolvendo a prisão de dois negros em um de seus estabelecimentos na Filadélfia abalou essa estratégia.

O Ceo da empresa, Kevin Johnson, reagiu rápido à campanha que pretendia boicotar a Starbucks em todo o país, mostrando como o diálogo com os atores envolvidos é importante para superar uma crise. Assumiu publicamente a responsabilidade e travou, com os dois negros presos, uma discussão sobre busca de soluções para as questões raciais nos Estados Unidos.

Para recompor-se perante os consumidores que protestaram nas ruas e nas redes sociais, a companhia marcou para o dia 29 de maio a paralisação das atividades em 8 mil cafés dos Estados Unidos. O objetivo é fazer uma tarde de treinamentos com 125 mil empregados para sobre como prevenir a discriminação racial em seus estabelecimentos.

 

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